Populismo para os pobres

Uma polémica sobre o prazer da pós-esquerda em auto-enganar-se na manifesta crise socio-ecológica do sistema

Tomasz Konicz, 02.12.2025

Eles são tudo menos modestos quando se trata da sua modéstia ostensivamente exibida. Os líderes do chamado «Partido da Esquerda» (Partei die Linke – doravante PDL), Ines Schwerdtner e Jan van Aken, renunciaram a parte do seu salário no Outono de 2024 para passar a receber o salário médio estatístico alemão. Eles querem «mudar o mundo» e para isso um «salário médio» é perfeitamente suficiente, enquanto «salários exorbitantes levariam a uma política exorbitante», explicaram os líderes do partido com toda a modéstia a todos os representantes dos media que quisessem ouvir.1 O dinheiro economizado seria doado e seriam criados horários especiais de atendimento na sede do partido para ajudar pessoas em situação de necessidade. Nenhum pedido seria pequeno demais, afirmou a presidente do partido, Schwerdtner. Um populismo para os pobres e os marginalizados deste mundo capitalista tardio, por assim dizer.

É claro que essa ideia populista de se tornar o advogado do «homem comum» não surgiu no monte de estrume da Karl Liebknecht Haus (para continuar com o jargão populista). O original populista de esquerda pode ser encontrado na Áustria e atende pelo nome de KPÖ. No site do Partido Comunista Austríaco em Graz,2 afirma-se que – surpresa – «os salários exorbitantes dos políticos… levam a uma política exorbitante». O KPÖ em Graz utiliza os fundos assim arrecadados para ajudar pessoas em situação de necessidade – isso é meticulosamente registado, e os dados correspondentes são acessíveis ao público. A diferença decisiva em relação ao PDL, porém, é que os comunistas austríacos obrigam todos os seus representantes eleitos a limitar os seus salários ao salário médio de um trabalhador qualificado, para poderem utilizar esses fundos em políticas sociais.

A estratégia do KPÖ deve, portanto, ser levada muito a sério, pois trata-se de um populismo de esquerda que realmente se esforça por ajudar as pessoas no meio da crise sistémica manifesta, ao mesmo tempo que desincentiva o oportunismo nas suas próprias fileiras. Porque, não nos iludamos, a redução dos salários visa principalmente dissuadir os carreiristas e os seus grupos de influência, que já se apropriaram de muitos projectos de esquerda assim que estes tiveram sucesso – a começar pelo gangue de Fischer e pelos Verdes. O PDL, pelo contrário, encena um teatro populista que visa apenas o efeito externo, o sensacionalismo, a fim de obter sucesso eleitoral e levar o maior número possível de seus seguidores e gangues a cargos bem remunerados (sempre mantendo o populismo!).

A diferença entre populismo e teatro de má qualidade reside precisamente no tecto salarial que deveria ser aplicado a todo o partido, ao seu aparelho e, acima de tudo, à fundação que usa indevidamente o nome de Rosa Luxemburgo, para que fosse levado a sério. Isso resultaria numa quantia considerável, com a qual se poderia ajudar muitas pessoas que estão a passar por dificuldades devido à crise. Só em Graz, já foram arrecadados vários milhões de euros. Se o Partido da Esquerda introduzisse um tecto salarial semelhante para todos os titulares de cargos e funcionários, somas semelhantes seriam arrecadadas mensalmente, com as quais muitas pessoas em necessidade poderiam ser ajudadas de forma concreta – mesmo que fossem cozinhas comunitárias ou bancos alimentares, que agora mal conseguem atender à crescente procura.

A crítica ao populismo pós-esquerda alemão, que entretanto se tornou quase hegemónico, é portanto uma crítica a este teatro ridículo encenado por actores sedentos de poder e cargos. O sucesso eleitoral do PDL revela-se assim após apenas alguns meses uma verdadeira catástrofe para tudo o que ainda resta da esquerda na Alemanha.3

Mas mesmo como estratégia consistente e sincera, como a que é seguida pelo KPÖ, o populismo deve ser submetido a uma crítica radical e fundamental, pois a sua premissa básica é errada. A voz do povo, a Vox Populi, que o populismo pretende captar e transformar em política para impor os interesses do povo, é pré-formada pela ideologia de crise do capitalismo tardio e pela socialização dos sujeitos na sociedade capitalista. Os interesses internos ao sistema que o populismo articula são, portanto, expressão da insistência numa prática de falsa imediatidade4 no meio da crise do sistema capitalista – ou seja, do esforço pós-esquerda condenado ao fracasso de realizar os objectivos políticos que se impõem “imediatamente” como fenómenos superficiais (Estado social, trabalho, protecção climática, democratização etc.).

O populismo só pode, portanto, operar no âmbito da lógica de interesses internos ao capitalismo, que está sujeita a um processo de erosão causado pela crise – e apenas repete a auto-imagem ideológica brutalizada da sociedade. O fio condutor da política populista não é, portanto, a dura e incómoda realidade da crise, mas a falsa aparência ideológica que a crise produz por meio da vox populi pré-formada pelo capitalismo tardio com a mediação da indústria cultural. Isto é devastador precisamente devido à crise sistémica que se desenvolve alegremente e que entretanto também atingiu os centros do sistema mundial,5 e torna entretanto necessária uma crítica radical e transformadora que vá ao fundo das suas contradições da sociedade capitalista tardia, bem como da ideologia de crise dominante – e não a repetição dessa ideologia, como é próprio do populismo.

Esta submissão inerente ao populismo aos imperativos e «constrangimentos» da crise permanente levou ao desaforo de uma fundação partidária que usurpou o nome de Rosa Luxemburgo (RLS) a um ponto que beira a sátira real. No seu documento estratégico intitulado Linke Triggerpunkte (Pontos-gatilho da esquerda), a RLS argumentou simplesmente que se deve evitar todos os temas que estejam em contradição com a hegemonia pré-fascista da direita na Alemanha e que, portanto, «desencadeiem» reacções da direita. Não incomodar, esse é o lema da – bem, vamos lá – «Fundação Rosa Luxemburgo». Em particular os temas dos refugiados e da crise climática devem ser evitados, para não alienar potenciais eleitores (e, a propósito, isso já diz tudo sobre a fixação insana da velha esquerda nos assalariados e «proletários» como «sujeitos revolucionários», que na verdade, na sua função de capital variável, actuam mais como seu último recurso, o que a RLS admite implicitamente no seu «documento estratégico» aberto à direita).6

Em última análise, deve-se evitar abordar a crise do sistema, que actualmente está obviamente a destruir as bases sociais e ecológicas do processo de civilização, a fim de permanecer compatível com a política capitalista tardia. E o PDL mantém-se firme nisso. Na verdade trata-se de uma declaração de capitulação ideológica, com a qual o PDL simplesmente entra em competição populista com a AfD, sem sequer ser capaz de pensar num princípio contrário à fascização na crise manifesta. São criadas outras imagens do inimigo (magnatas, ricos), são idealizados períodos históricos alternativos como a «Idade de Ouro» (a «economia social de mercado» da segunda metade do século XX) – ao mesmo tempo que se evapora qualquer indício de crítica radical e categorial aos fundamentos em desintegração do capitalismo tardio. A frase e a pose substituem a crítica. Mulheres e homens assumem a pose de Che Guevara quando exigem taxas de imposto mais elevadas para os «magnatas».

Os herdeiros de Wagenknecht

O que pretende agora o novo populismo de esquerda alemão na forma do PDL? Ele quer voltar ao passado, voltar à economia social de mercado, ao próspero capitalismo renano do pós-guerra. A questão social está no centro da propaganda populista. O Partido da Esquerda assume a postura de defensor das pessoas comuns para exigir a expansão do Estado social, impostos mais altos para os ricos e um papel maior do Estado na economia – exactamente como era o caso na Alemanha Ocidental durante o milagre económico.

Não só estrategicamente, mas também em termos de conteúdo, o novo populismo de esquerda revela-se uma mera cópia da política de Sahra Wagenknecht e das forças nacional-socialistas que formaram a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW).7 A ideia maluca de poder regressar à segunda metade do século XX por meio de políticas populistas foi explicitamente formulada pela Sra. Wagenknecht no seu livro Die Selbstgerechten (Os Arrogantes), pouco antes da cisão.8 O Partido da Esquerda é o herdeiro populista desse populismo transversal de Wagenknecht, seguindo uma política conservadora de esquerda, para retomar o apropriado oxímoro de Wagenknecht, embora o PDL renuncie a repetir os crescentes ressentimentos causados pela crise, a xenofobia e o racismo que caracterizam a BSW.

E tudo isso é obviamente – para voltar ao jargão populista – uma grande mentira e uma fraude, uma espécie de traição ao povo cometida por pseudopopulistas, que o PDL encena em toda a sua falsa imediatidade. Não há retorno à economia social de mercado, não é possível voltar atrás. O processo de crise impede esse anacronismo populista. A crise, como um processo fetichista que alastra gradualmente da periferia para o centro, impulsionado pelas contradições internas do capital, é agora evidente. Tudo está à vista – e é quase impressionante como a esquerda alemã ainda consegue ignorar essa evidência com suas contorções mentais.

É óbvio: as guerras comerciais que Trump desencadeou são consequência política da desindustrialização em grande parte dos Estados Unidos, na qual se manifesta o limite interno do capital.9 O movimento fetichista do capital em toda a sociedade, gerado pela concorrência entre os agentes do mercado, torna-se evidente na crise climática.10 Não há nenhum interesse capitalista por trás disso, quando a pressão da valorização em breve tornará regiões inteiras do mundo inabitáveis. A irracionalidade autodestrutiva da relação capitalista, que por meio da racionalidade instrumental transforma o mundo inteiro em material para o seu processo de valorização ilimitado, é evidente numa análise rápida das emissões globais de CO2.

Ninguém quer uma revolução, não há sujeito revolucionário. Isso também é óbvio. E, no entanto, embora quase todas as camadas da população se agarrem firmemente às suas formas de socialização, o sistema está a entrar em colapso. É a compulsão capitalista à valorização, em sua agonia, que põe em causa o sistema, ao despedaçar-se em suas contradições – enquanto o populismo de esquerda quer transformar tudo numa questão de distribuição e se agarra reaccionariamente à sociedade em decomposição. A direita age de certo modo com visão de futuro, quer a barbárie, quer o colapso, para se aproximar da loucura fascista na purificadora tempestade de aço – a esquerda populista age de forma conservadora, mantém-se fiel às imagens ideais distorcidas do capitalismo do milagre económico.

Mas não pode haver um Estado social no capitalismo tardio, pois toda a sociedade depende do processo de valorização, muito prosaicamente na forma de impostos e salários. O discurso idiota do PDL sobre o Estado social é uma mentira. Quando o processo de valorização estagna ou simplesmente entra em colapso, quando a economia deixa de «funcionar», tudo o resto também fica em risco. A redistribuição não ajuda quando a massa de força de trabalho valorizada na produção de mercadorias diminui, quando o processo de valorização destrói as suas bases ecológicas.

Também não haverá paz no capitalismo tardio em colapso, pois as crescentes contradições internas e distorções ecológicas levam os monstros estatais quase inevitavelmente à expansão externa, a aventuras bélicas. O aumento do armamento no Ocidente não é apenas uma reacção ao imperialismo russo, que, a partir de uma posição de instabilidade interna e fraqueza geopolítica, passou a uma guerra de agressão contra a Ucrânia.11 A crescente escassez de recursos e de matérias-primas tornarão necessárias guerras ordinárias de saque em todos os lugares onde o processo de valorização do capital ainda pretenda ser mantido, com sua fome insaciável por recursos. O abastecimento alimentar está ameaçado a médio prazo, o que já se reflete na inflação correspondente. Uma guerra catastrófica em grande escala é apenas uma questão de tempo. In the dark present of the 21th century, there is only war.

A democracia capitalista tardia também é um modelo em extinção. Na crise, as tendências fascistas inevitavelmente ganham força, juntamente com uma oligarquização do aparelho estatal cada vez mais autoritário. Não é uma previsão para o futuro, já está a acontecer: nos EUA, em partes da Europa Oriental e em certa medida também na Alemanha. Mais ainda: o fascismo é o agente subjectivo da transformação do sistema, que já está objectivamente em curso, para uma barbárie pós-capitalista. A optimização do processo de valorização, realizada por meio do discurso democrático, que constitui a essência orwelliana da democracia capitalista, transforma-se, na crise manifesta do sistema, na tendência objectiva à autodestruição, cujo agente político subjectivo é o fascismo.12

Os apoiantes dos apoiantes

Quase todos sabem, realmente todos pressentem que o sistema está no fim. E no entanto o populismo do Partido da Esquerda, com as suas evidentes mentiras, é bastante bem-sucedido. Os enganadores do povo do PDL (sempre populares!), que fingem que a crise do sistema não existe para atirar areia social-democrata aos olhos das pessoas, estão simplesmente a perseguir os seus próprios interesses dentro do capitalismo. A questão populista do cui bono, do «a quem isso beneficia», que inevitavelmente se transforma em ideologia quando se analisa o processo irracional e fetichista da crise, é bastante apropriada para a autópsia do populismo.

A redefinição da questão do sistema como uma questão de distribuição simplesmente abre caminhos para a carreira na política. Há uma necessidade concreta para isso. O tabu ideológico de dizer o que é, de nomear claramente a autodestruição do sistema, deve ser mantido mesmo na sua agonia. No entanto, a base da produção ideológica capitalista, a naturalização do capitalismo, dificilmente pode ser mantida devido às crescentes distorções. A falsa narrativa do populismo de esquerda, segundo a qual a ganância e a sede de poder desenfreadas de uma classe de obscuros homens de mão e magnatas seriam responsáveis por isso, cria válvulas ideológicas que aliviam a pressão da legitimidade. Não há nada que algumas novas taxas de imposto e mudanças económicas para o keynesianismo não possam reparar, segundo a mentira implícita do populismo de esquerda. A pose aparentemente radical, a frase vazia, encobrem o abismo entre a realidade da crise e os postulados anacrónicos do PDL.

Os Verdes transformaram a percepção emergente da crise climática capitalista13 numa profissão de fé no «capitalismo verde», enquanto o Partido da Esquerda faz algo semelhante em relação ao limite interno do capital14 e suas consequências sociais. O PDL oferece-se assim às elites funcionais capitalistas como administrador da crise. E isso não acontece de forma metafórica, mas muito concreta – visível para quem quiser ver. Qualquer fraseologia aparentemente radical das personalidades proeminentes do PDL derrete-se imediatamente logo que surja a mais pequena possibilidade de participar na política.

O produto do TikTok Heidi Reichinnek, por exemplo, aproveitou no início de 2025 a onda de indignação antifascista desencadeada pela quebra de tabu do então candidato principal da CDU, Friedrich Merz, na fase acirrada da campanha eleitoral,15 quando a CDU aprovou o endurecimento da lei de estrangeiros com os votos da AfD. Na altura, a presidente do grupo da esquerda no Bundestag afirmou que Merz tinha abandonado o centro democrático e estava a seguir a AfD.16 Apenas alguns meses depois, a mesma Heidi Reichinnek e o seu grupo parlamentar permitiram a eleição para chanceler federal do mesmo Friedrich Merz que cometeu a maior «quebra de tabu» fascista da história alemã do pós-guerra.17 Isto com as frases mais lamentáveis: «Acabar com o caos», «estar sempre prontos», «para o bem do país e das pessoas», sempre «colaboração possível». Reichinnek pode simplesmente contar com o facto de que a memória dos seus fãs do TikTok deve ser medida em segundos.

Por que razão o PDL permitiu a eleição antecipada do apoiante Merz? Por que razão os deputados do PDL no Bundestag actuaram efectivamente como apoiantes dos apoiantes? Para demonstrar a sua fiabilidade na política, para provar que podem ser um parceiro fiável na «cooperação» na administração da crise capitalista. E esta decisão do PDL de não se opor ao pré-fascismo alemão também é apreciada dentro de limites estreitos. A decisão de incompatibilidade da CDU em relação ao PDL caíu, e o FAZ, uma espécie de Izvestia do capitalismo tardio, praticamente o órgão central da elite funcional da República Federal, publicou após a eleição do chanceler que o «Partido da Esquerda» não era mais «um inimigo a ser temido».18 O caminho para a normalização, para a participação comum, está aberto desde a eleição do chanceler – as frases antifascistas da campanha eleitoral do PDL foram o sacrifício oportunista feito de boa vontade pelo partido que criou Wagenknecht.

As camarilhas dirigentes do PDL articulam, para continuar na gíria populista, um abismo de frases baratas e bajulação às elites funcionais, sempre que possível. E essa imposição pós-esquerda não quer «fazer» nada além da política tradicional, orientada por estratégias de crise comuns e desgastadas. O reaccionário fetiche do Estado, que caracteriza grande parte da velha esquerda alemã, constitui o trampolim ideológico perfeito para planos de carreira na administração da crise, uma vez que, em fases de crise manifesta, o Estado assume uma posição económica central, com o objectivo de apoiar a máquina de valorização em dificuldades.

Hiper-oportunismo disfuncional

No entanto, como já mencionado acima, a participação do PDL é bastante limitada. Em troca de sua função parlamentar como apoio ao candidato Merz, o grupo parlamentar do PDL esperava não apenas a “normalização” das relações com a CDU, mas também um cargo na comissão de serviços secretos. A nossa Heidi Reichinnek, que possibilitou o mais rapidamente possível a eleição de um chanceler com a «AfD a reboque», para assim «evitar o caos» na Alemanha, só queria entrar nesta comissão por uma única razão: para provar a sua fiabilidade, «para o bem do país» etc. etc. Bem, isso foi demasiado para a CDU e o SPD. O cálculo, de si mesmo lamentável, de entrar na comissão dos serviços secretos através da eleição do chanceler não deu certo, pois Reichinnek não obteve a maioria necessária em Junho.19

Mas isso não assusta a mania oportunista de participação dos snobes da classe média sedentos de poder com manias proletárias, que constituem a maior parte das redes de influência do PDL – pelo contrário. O oportunismo intensifica-se até se tornar um hiper-oportunismo, precipita-se, torna-se efectivamente disfuncional, atrapalha-se a si mesmo, nega-se a si mesmo, por assim dizer. É um oportunismo sem ocasião oportunista, sem opportunity, que praticamente se apodera das máquinas de assédio moral no topo do PDL: ninguém exigiu isso dela, não havia perspectivas de participação no governo e, ainda assim, Ines Schwerdtner, o desaforo no topo do «Partido da Esquerda», com as habituais «reservas», exigiu ainda em Agosto de 2025 o aumento da idade de reforma.20

Foi um erro populista grave, cometido sem motivo, ao dizer simplesmente a verdade: não em relação à idade de reforma, mas em relação ao carácter do «populismo de esquerda» do PDL, que simplesmente mente às pessoas. Como já foi dito: eles não acreditam na demagogia social que propagam na crise do sistema. Os populistas do PDL mentem, não é ignorância. A Sra. Schwerdtner só queria fazer parte do debate reaccionário sobre estratégias de administração da crise, para sinalizar a sua «capacidade de governar». E isso contradiz não só o discurso anacrónico do PDL sobre o Estado social, mas também o credo populista e a táctica da demagogia social, que se baseia em bajular as pessoas até chegar ao poder – para depois esquecer as suas promessas e trair os eleitores. Schwerdtner exagerou, teve de ser repreendida,21 embora o PDL possa contar com a curta capacidade de atenção das suas brigadas do Reddit e do TikTok.

E isso não é nada de novo. Já na campanha eleitoral de 2021, o PDL tropeçou no seu hiper-oportunismo disfuncional. O homem que se ajoelhou reverentemente diante de Wolfgang Schäuble,22 Dietmar Bartsch, então candidato principal do partido, declarou durante a acirrada fase da campanha eleitoral que grande parte do programa eleitoral, que fora negociado com tanto esforço, era inútil, porque a concorrência o criticava. Seguindo as críticas do SPD e dos Verdes a vários pontos do programa, Bartsch descartou boa parte do programa do seu partido para demonstrar a capacidade do partido de governar no meio da campanha eleitoral – em vez de fazer isso apenas em eventuais coligações após as eleições, como é habitual em qualquer outro partido.23 Apesar da mudança na liderança: muito do que era da velha esquerda permaneceu com os oportunistas de sempre. O hiper-oportunismo pode, portanto, ser definido como uma ambição de poder e carreira que se interpõe no próprio caminho.

A mania proletária do «Partido da Esquerda», o amor ostensivamente demonstrado pela classe trabalhadora, pelos assalariados, é uma excentricidade dos snobes da classe média que constituem a maior parte da liderança do PDL.24 Os interesses dos assalariados dentro do capitalismo, que este pseudopopulismo finge representar, serão traídos na primeira oportunidade. Sem dúvida. O amor pelo trabalho da Sra. Schwerdtner vai tão longe que ela quer ver tranquilamente prolongada a vida útil – desde que a Sra. Schwerdtner não tenha de trabalhar, entenda-se. Afinal, por que não aplicar à Sra. Schwerdtner as mesmas categorias populistas que ela aplica aos seus adversários políticos?25 Para avaliar Schwerdtner com base na sua própria ideologia de trabalho: aqui, uma snobe da classe média, que nunca trabalhou de verdade, exige o prolongamento da vida útil para poder fornecer cargos e dinheiro ao seu grupo político o mais rápido possível.

E não é por acaso que o fetiche do trabalho tipicamente alemão, que a Sra. Schwerdtner propaga ofensivamente, se encontra no centro dessa quebra populista de tabus, que apenas dá uma perspectiva de uma eventual participação no governo dessa tropa em ruínas. O fetiche do Estado da velha esquerda alemã dentro e ao redor do PDL – reforçado pelas tendências objectivas de crise do capitalismo de Estado – é complementado pela obsessão alemã pelo trabalho. É um produto da decadência da antiga crença da esquerda no proletariado como «sujeito revolucionário», bem como o ideologema central da ideologia de crise do capitalismo tardio, à qual o PDL se agarra.

Mas o trabalho – para deixar para trás o lixo populista – é a substância do capital. A verdadeira histeria em torno do trabalho, a incessante campanha contra tudo o que não contribui para o processo de valorização do capital, são expressões da crise desse mesmo processo de valorização, que leva à autodestruição. É por isso que, em momentos de crise, a obsessão potencialmente mortal pelo trabalho se manifesta repetidamente, chegando ao trabalho forçado e à morte por inanição – mesmo no século XXI. 26 Tudo tem de se tornar trabalho, porque o trabalho em si mesmo se destrói.27 O PDL, com o seu ódio populista aos «aproveitadores» e «parasitas», que sufocou qualquer crítica radical, constitui apenas uma corrente pós-esquerda desta ideologia de crise.

O prazer regressivo do auto-engano

O PDL já pode assim ser entendido como uma formação pós-esquerda, são bárbaros oportunistas que habitam nas ruínas de tentativas de emancipação passadas. O real interesse dentro do capitalismo que impulsiona essas redes populistas materializa-se em figuras como Schwerdtner ou Reichinnek: É o impulso em pânico de, mesmo na crise, ainda conseguir um lugar na administração da crise do capitalismo tardio, para se tornar seu sujeito. Isso também explica a tendência disfuncional ao hiper-oportunismo – o tempo está a esgotar-se, a crise do sistema, que esses oportunistas distorcem como uma crise de redistribuição, avança inexoravelmente. E eles sentem que o tempo está a esgotar-se para ainda «se encaixarem». Consequentemente quase não há tabus, mesmo sem gratificações: caminhos para a chancelaria são pavimentados para os apoiantes, promessas do Estado social são transformadas no seu oposto etc. O ridículo de exigir melhorias marginais num sistema em evidente colapso, numa crise socio-ecológica manifesta, é realmente óbvio.

Mas isso não esclarece a evidente popularidade desse pseudopopulismo do PDL, que na verdade há muito se tornou hegemónico na pós-esquerda alemã. A sua falsidade é evidente: os populistas pós-esquerda alemães polemizam contra os fascistas, para alguns meses depois lhes abrirem caminho para a chanceleria, praticam a demagogia social que refutam sem qualquer justificação oportunista com exigências de aumento da idade de reforma. Essas mentiras populistas, que podem ser facilmente desmascaradas, encontram no entanto ouvidos atentos e mentes receptivas. Muitos antigos esquerdistas e amplos sectores da população simplesmente querem ser enganados. Há um grande desejo de auto-engano, que não pode ser explicado simplesmente pela demagogia ou pela esperança dos seguidores de um lugarzinho quentinho na administração da crise. Essa porcaria pseudopopulista é tão bem-sucedida porque apela a uma generalizada necessidade irracional, que se espalha na crise manifesta do sistema.

Essa necessidade irracional e obscura, que se apodera das massas na sequência da plena revelação do irracionalismo do capital, é melhor explicada pelo conceito de regressão. O retrocesso motivado pelo medo a estágios anteriores de desenvolvimento, muitas vezes utilizado para afastar experiências traumáticas, corresponde, na esfera política em dissolução, a múltiplos reflexos de defesa ideológica contra a crise. Pretende-se que a crise mundial do capital seja banida nesse pensamento mágico, tornando tabu a sua percepção, reflexão e discussão. Concretamente, isso manifesta-se na luta da pós-esquerda e da velha esquerda contra a teoria radical da crise. É uma espécie de tabu que se estabelece, uma compulsão de não querer saber – o que, perante a crise manifesta, perante o fetichismo do capital que se torna cada vez mais evidente,28 muitas vezes cai no ridículo: por exemplo quando os jovens do PDL exigem «justiça no colapso climático»29 ou quando comediantes alemães de esquerda dão ultimatos a bilionários30 para que ponham fim à crise, enquanto estes já há muito que mandam construir os seus bunkers.31

A regressão pós-esquerda que impulsiona o populismo do PDL e da BSW em dissolução está de facto relacionada com os esforços explicitamente reaccionários da direita, o que também se expressou concretamente nos esforços de frente transversal dos últimos anos.32 Mas esse reflexo pré-consciente e inconsciente da crise vai além de uma mera dimensão política. A crise do capital também afecta os sujeitos cuja constituição e socialização se deu no capitalismo tardio. Aquilo para que o capital prepara o assalariado, a sua constituição como sujeito, como cidadão do Estado e sujeito do mercado, está à beira da dissolução. E é nisso que a regressão quer se agarrar, na identidade do capitalismo tardio, o que – a propósito – também explica a mania de identidade galopante, que é apenas a expressão de identidades em dissolução. Quando tudo entra em dissolução, quando as coisas entram em movimento, os sujeitos agarram-se ao que ainda lhes resta – à sua identidade adquirida por meio da socialização, mesmo que esta também esteja a ser corroída.

A teoria radical da crise e a prática transformadora que dela decorre, a fuga da prisão mental do capitalismo, equivalem assim a uma ruptura de identidade necessária e dolorosa. E é precisamente esta ruptura com o capital que a velha esquerda recusa, como explicou o teórico da crise Robert Kurz, na sua análise da ideologia anti-alemã no início do século XXI:

«A ruptura categorial iminente seria uma ruptura de identidade tão dolorosa que o último suspiro do antigo paradigma da crítica consiste principalmente em elaborar estratégias de evasão a este respeito.»33

O pseudopopulismo pós-esquerda do PDL não é, portanto, apenas um projecto de carreira oportunista na era da aberta administração da crise, mas também se baseia nessa tendência inconsciente de regressão, no medo dos sujeitos perante a iminente «perda de identidade», por assim dizer. É também um populismo dos intelectualmente pobres, para resumir à maneira populista. Robert Kurz falou explicitamente, neste contexto, de um «desejo reaccionário de regresso aos padrões de interpretação habituais» em «grandes partes da esquerda». O anacrónico discurso do Estado social, o regresso zombificado do anti-imperialismo na forma da pós-colonialidade, o elogio ao trabalho árduo face aos próximos impulsos de racionalização da IA,34 a ridícula polémica sobre parasitas e magnatas na crise climática manifesta, apelam a essa necessidade regressiva em toda a velha esquerda que ainda não se rendeu abertamente à reacção de direita.

O desejo populista de regressar à economia social de mercado idealizada é apenas uma expressão pós-esquerda dessa tendência geral à regressão, como Wagenknecht demonstrou.35 É literalmente uma «estratégia de evasão», na formulação de Kurz. Ou, noutras palavras: a mania da identidade – agora com base nacional ou religiosa – é uma expressão da adesão à sociedade capitalista tardia, que moldou essas identidades por meio da socialização.

E, no entanto, essa fuga regressiva para a mania da identidade e para a estupidez da luta de classes não vai impedir o curso fetichista da crise. No dia a dia, o fetichismo aberto da crise bate na cara dos entorpecidos aspirantes a lutadores de classe, que só conseguem ver sinistros interesses capitalistas em toda a parte. É óbvio que a ameaça de uma catástrofe climática também ameaça pôr fim à especulação do capital. A crise continuará a desenvolver-se em suas dimensões ecológica e económica, mesmo que o populismo e a estupidez da velha esquerda ocultem ou marginalizem a teoria radical da crise. A realidade fetichista da crise não pode ser escamoteada.

A ruptura categorial que Robert Kurz previu em seu livro “Die antideutsche Ideologie” (A ideologia anti-alemã) está agora concretamente na agenda. Não porque os agentes do mercado, suados de medo e cegos pela identidade, a quisessem, mas porque ela inevitavelmente ocorrerá no decorrer da transformação do sistema que se aproxima:

«Na agenda histórica está a ruptura categorial com as formas basilares do moderno sistema de produção de mercadorias, tal como se anuncia com o conceito de crítica do valor: a relação de capital deve ser criticada na sua essência como socialização do valor. Se, após o colapso do socialismo de Estado, do movimento operário e do marxismo tradicional, deve haver mais uma vez uma renovada crítica teórica e prática do sistema mundial dominante, do seu terror económico, dos seus desaforos sociais e dos seus processos de destruição, então a crítica tem de se radicalizar; ou seja, ao contrário dos anteriores paradigmas de esquerda, ela tem de aprofundar-se até às raízes e até ao fundamento categorial da modernidade produtora de mercadorias. Isso inclui a crítica da forma fetichista do sujeito e dos interesses, do «trabalho abstracto» e da forma jurídica democrática: tudo isso são conceitos incompreensíveis para a consciência moribunda do marxismo do movimento operário categorialmente imanente. Quem foi parte integrante da história da modernização capitalista não pode nem quer romper com a modernidade produtora de mercadorias.»36

Nada mudou nas últimas duas décadas, apesar da dinâmica da crise cada vez mais avançada. Esta velha esquerda constitui, de facto, o principal factor perturbador no estabelecimento de uma consciência radical da crise, que só poderia formar-se na esquerda política. Em nenhum lugar isso fica mais claro do que nos produtos da decomposição do «socialismo de Estado, do movimento operário e do marxismo tradicional», que assumiram uma forma populista no PDL – eles são carne da carne ideológica do capital, sua última reserva na esquerda em dissolução, por assim dizer, que tenta suprimir qualquer impulso emancipatório. Cálculo oportunista, obtusidade da velha esquerda e regressão geral andam aqui de mãos dadas.

Especialmente no contexto da inevitável crise do sistema, que necessariamente levará a uma transformação do sistema com resultados incertos, esse «populismo identitário» pós-esquerda tem um efeito desastroso. A emancipação na crise37 só pode ser o resultado de uma luta de transformação conduzida conscientemente. A este respeito, de novo Robert Kurz, em «Antideutsche Ideologie» (Ideologia Anti-alemã):

«É precisamente por isso que da crise não resulta nada além da crise, do não funcionamento do capital, e não que o capital como relação social, tal como se tornou uma falsa evidência na mente das pessoas, tenha desaparecido por si só. A crise nunca substitui a emancipação, o movimento social emancipatório, precisamente porque é puramente objectiva. É claro que não existe emancipação automática e objectiva; isso seria uma contradição em si. E portanto também é totalmente incerto como as pessoas reagirão à crise e ao colapso. Na sua objectividade, o limite interno absoluto do capital pode tornar-se uma condição externa para a emancipação, assim como para a decadência social na barbárie, que o capitalismo sempre carregou em si mesmo como potencialidade e como manifestação».38

A estupidez regressiva e motivada pelo oportunismo que o PDL propaga dentro da esquerda alemã em declínio39 bloqueia assim objectivamente a necessária «ruptura categorial com as formas basilares do moderno sistema de produção de mercadorias», como formulou Kurz. Esta ruptura categorial seria, porém, uma condição prévia para um «movimento social emancipatório», que conduziria conscientemente as lutas sociais como momentos parciais da luta de transformação objectivamente iminente.40

Dizer as coisas como elas são – expressar clara e publicamente a crise e a necessidade de ultrapassar o capital para sobreviver – parece agora quase impensável no pântano populista que se espalha pela esquerda remanescente, na sequência da sua catastrófica vitória eleitoral41 no PDL. Em vez de uma crítica radical à espumante mania da identidade e do trabalho, que são apenas expressões da crise do trabalho e do sujeito do mercado, em vez de uma busca consciente e progressiva por caminhos emancipadores para a transformação, o PDL encena um teatro ridículo e retrógrado, que é realmente óbvio na sua hipocrisia regressiva. O bloqueio ideológico-identitário do PDL não se estende apenas ao panorama mediático de esquerda, que foi amplamente alinhado, mas também aos fóruns de discussão de esquerda e às redes sociais, na sua maioria moderados por pessoas que não precisam de trabalhar porque são pagas pelo PDL – como funcionários parlamentares, funcionários do partido, voluntários, estagiários etc. O discurso radical fundamental, o entendimento sobre caminhos emancipadores para sair da catástrofe iminente é cortado pela raiz.

A emancipação requer a ruptura radical e categorial com asocialização dovalor, tanto ideológica como identitariamente, como pré-requisito para a prática transformadora emancipatória – justamente porque a socialização do valor se está a desintegrar nas suas contradições. A regressão, o caminho oportunista e confortável do PDL funciona, por outro lado, como um dos focos da fascização. O fascismo é um extremismo do centro, que leva ao extremo precisamente aquilo que encontra no centro em termos de ideologia e identidade, em reação aos surtos de crise.

Essa abertura regressiva à direita, que levou Wagenknecht a uma saída nacional-socialista do partido, pode ser demonstrada de forma muito concreta actualmente pelo maior populista oco do PDL,42 o líder do partido Jan van Aken. Van Aken adquiriu o hábito de mandar fazer cartazes43 para se vender como tribuno do povo, à maneira populista.44 Como sob uma lente de aumento, torna-se visível aqui a degeneração de direita da crítica simplista ao capitalismo: O elogio ao trabalho árduo, que «mantém o país a funcionar», acompanha a personificação da crise numa «clique de milionários». E, tal como acontece com a sua co-presidente, também se pode afirmar que o Sr. van Aken é alguém que elogia o trabalho, mas que nunca teve de «trabalhar a sério» no sentido populista.

Como mencionado, o trabalho constitui a substância do capital – a histeria generalizada em torno do trabalho, que está a fazer ressurgir o trabalho forçado na Alemanha, é expressão da crise do capital, que ameaça livrar-se definitivamente da sua substância com a iminente onda de racionalização da IA.45 A prática emancipatória consistiria em lutar pelo fim da obrigação de trabalhar e pela concretização da automatização numa sociedade pós-capitalista emancipada do fetichismo. A mania alemã do trabalho, que se intensificou durante a última grave crise do sistema no contexto do extremismo nacional-socialista do centro até ao lema de Auschwitz «O trabalho liberta», está actualmente a ferver em quase todos os campos políticos em reacção à crise. Van Aken reproduz esse fetiche pelo trabalho numa variante pós-esquerda, opondo uma camarilha de parasitas às massas proletárias.

A hegemonia do discurso fascista na RFA torna-se visível precisamente quando van Aken se expressa de forma antifascista – e sem querer cai numa crítica fascistoide ao fascismo, que imagina o fascismo como uma conspiração sombria das elites («magnatas») contra o trabalho nacional, contra – surpresa – as «pessoas que trabalham arduamente».46 Mania do trabalho, personificação das causas da crise, pensamento conspiratório – tudo num cartaz cuja crítica simplista do capitalismo também poderia ser encontrada num cartaz nazi, bastando trocar «magnatas» por «judeus». Isso não tem nada a ver com a crítica à dinâmica real da crise, que realmente intensifica as lutas pela distribuição na superfície. Aqui não se expressa um princípio contrário ao fascismo, mas apenas a sua concorrência populista.

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1 https://www.zdfheute.de/politik/deutschland/linken-vorsitzende-schwerdtner-van-aken-gehalt-spende-100.html

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3 https://www.konicz.info/2025/03/23/alle-werden-wagenknecht/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/04/06/todos-se-tornam-wagenknecht/

4 https://www.untergrund-blättle.ch/politik/theorie/emanzipation-in-der-krise-7306.html. Em Português: https://www.konicz.info/2022/11/09/emancipacao-na-crise/

5 https://jungle.world/artikel/2025/14/autoland-ist-abgebrannt. Em Português: https://www.konicz.info/2025/04/06/o-pais-do-automovel-ardeu/

6 https://www.rosalux.de/fileadmin/rls_uploads/pdfs/Studien/Studien_3-24_Linke_Triggerpunkte_web.pdf

7 https://www.konicz.info/2025/03/23/alle-werden-wagenknecht/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/04/06/todos-se-tornam-wagenknecht/

8 https://www.konicz.info/2021/06/29/schreiben-wie-ein-internettroll/

9 https://www.konicz.info/2025/05/26/trump-an-der-inneren-schranke-des-kapitals/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/05/26/trump-perante-o-limite-interno-do-capital/

10 https://www.konicz.info/2022/01/14/die-klimakrise-und-die-aeusseren-grenzen-des-kapitals/.

11 https://www.akweb.de/politik/russland-ukraine-konflikt-kampf-auf-der-titanic/. Em Português: https://www.konicz.info/2014/12/01/a-luta-pelo-poder-no-titanic/

12 https://www.konicz.info/2024/01/13/e-book-faschismus-im-21-jahrhundert/

13 https://www.konicz.info/2024/05/29/aktualisierte-neuausgabe-klimakiller-kapital/

14 https://www.konicz.info/2025/11/01/understanding-jd-vance/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/06/04/entender-jd-vance/

15 https://www.konicz.info/2025/01/28/schwarz-brauner-durchbruch-in-der-heissen-wahlkampfphase/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/01/29/avanco-negro-e-castanho-na-fase-quente-da-campanha-eleitoral/

16 https://www.zdfheute.de/video/zdfheute-live/reichinnek-bundestag-redebeitrag-debatte-migrationsgesetz-video-100.html

17 https://x.com/antonnft6/status/1919821830660976804

18 https://www.faz.net/aktuell/politik/inland/kommentar-zum-unvereinbarkeitsbeschluss-die-cdu-sollte-ihr-verhaeltnis-zur-linken-aendern-110466519.html

19 https://www.tagesschau.de/inland/innenpolitik/geheimdienst-gremium-reichinnek-afd-100.html

20 https://www.n-tv.de/politik/Linken-Chefin-haelt-Erhoehung-des-Renteneintrittsalters-fuer-moeglich-article25948019.html

21 https://www.zdfheute.de/politik/deutschland/rentenalter-linke-schwerdtner-aussage-korrektur-100.html

22 https://www.wsws.org/de/articles/2024/01/04/link-j04.html

23 https://www.konicz.info/2021/09/24/linkspartei-wagenknecht-statt-kampf-um-emanzipation/.

24 Os trabalhadores estão tão sub-representados que o partido teve de introduzir uma quota especial em 2025. https://www.freitag.de/autoren/sebastian-baehr/die-linkspartei-will-eine-arbeiterquote-einfuehren-kann-das-klappen

25 https://x.com/fr_dr_kniffel/status/1992268626490269713

26 https://www.konicz.info/2013/03/15/happy-birthday-schweinesystem/

27 https://www.konicz.info/2025/05/26/trump-an-der-inneren-schranke-des-kapitals/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/05/26/trump-perante-o-limite-interno-do-capital/

28 https://www.konicz.info/2022/10/02/die-subjektlose-herrschaft-des-kapitals-2/

29 https://x.com/tkonicz/status/1992636311359172882

30 https://x.com/tkonicz/status/1928306598717403243

31 https://konicz.substack.com/p/the-exodus-of-the-money-people

32 https://www.konicz.info/2024/06/06/linkspartei-querfrontschrecken-ohne-ende/. Em Português: https://www.konicz.info/2024/06/21/partido-da-esquerda-o-terror-sem-fim-da-frente-transversal/

33 Robert Kurz, Die antideutsche Ideologie, Vom Antifaschismus zum Krisenimperialismus: Kritik des neuesten linksdeutschen Sektenwesens in seinen theoretischen Propheten [A ideologia anti-alemã. Do antifascismo ao imperialismo de crise: crítica ao novíssimo movimento sectário da esquerda alemã nos seus profetas teóricos], Münster, 2003 p. 14

34 https://www.konicz.info/2024/04/19/ki-als-der-finale-automatisierungsschub/. Em Português: https://www.konicz.info/2024/04/24/a-inteligencia-artificial-como-impulso-final-de-automatizacao/

35 https://www.konicz.info/2024/05/26/die-grosse-regression/. Em Português: https://www.konicz.info/2024/12/06/a-grande-regressao/

36 Robert Kurz, Die antideutsche Ideologie, Vom Antifaschismus zum Krisenimperialismus: Kritik des neuesten linksdeutschen Sektenwesens in seinen theoretischen Propheten [A ideologia anti-alemã. Do antifascismo ao imperialismo de crise: crítica ao novíssimo movimento sectário da esquerda alemã nos seus profetas teóricos], Münster, 2003, p. 14, 15

37 https://www.konicz.info/2022/10/12/emanzipation-in-der-krise/. Em Português: https://www.konicz.info/2022/11/09/emancipacao-na-crise/

38 Die antideutsche Ideologie, Vom Antifaschismus zum Krisenimperialismus: Kritik des neuesten linksdeutschen Sektenwesens in seinen theoretischen Propheten [A ideologia anti-alemã. Do antifascismo ao imperialismo de crise: crítica do novíssimo movimento sectário da esquerda alemã nos seus profetas teóricos], Münster, 2003, p. 227

39 Nos EUA, os Democratic Socialists of America e o jornal regressivo Jacobin desempenham uma função semelhante em termos de ideologia de crise.

40 https://www.untergrund-blättle.ch/politik/theorie/den-transformationskampf-aufnehmen-fuer-ein-kaempferisches-krisenbewusstsein-009092.html. Em Português: https://www.konicz.info/2025/06/03/comecar-a-luta-pela-transformacao/

41 https://www.konicz.info/2025/03/23/alle-werden-wagenknecht/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/04/06/todos-se-tornam-wagenknecht/

42 https://x.com/tkonicz/status/1995044050798612824

43 https://x.com/tkonicz/status/1995108620632002741

44 https://x.com/tkonicz/status/1995110373213536561

45 https://www.konicz.info/2024/04/19/ki-als-der-finale-automatisierungsschub/. Em Português: https://www.konicz.info/2024/04/24/a-inteligencia-artificial-como-impulso-final-de-automatizacao/

46 https://x.com/tkonicz/status/1995107787139936504/photo/1

Original “Populismus für Arme” in konicz.info, 30.11.2025. Tradução de Boaventura Antunes

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