30.01.2026
Balanço e perspectivas sobre as constelações do imperialismo de crise no seio das quais tem de se afirmar a autonomia em Rojava, no norte da Síria
Tomasz Konicz
Para entender a actual catástrofe do movimento de libertação curdo em Rojava, é útil olhar para o seu ambiente geopolítico no auge da guerra civil síria. Os EUA, no declínio da sua hegemonia, eram o factor central. Havia duas abordagens intervencionistas para a Síria, que se estava a afundar na guerra civil e que competiam entre si no âmbito da política externa dos EUA. Durante a administração Obama, esse conflito também se desenrolou de forma relativamente aberta.1 Enquanto a CIA procurava instrumentalizar as milícias islâmicas sunitas “moderadas”, o Pentágono confiava nos curdos sírios da região emergente de Rojava para travar a ofensiva do Estado Islâmico (EI).2
Como é sabido, o Pentágono levou a melhor. E isso aconteceu por uma razão simples: as forças de autodefesa curdas foram muito eficazes na luta contra o islamofascismo genocida do EI,3 pois estavam a lutar por uma sociedade emancipatória. Não se pode dizer que as milícias islamistas da CIA, que na sua maioria viam o EI como um mero concorrente, tenham feito o mesmo. A fase de cooperação intensiva e militarmente bem-sucedida entre o Pentágono e Rojava estendeu-se desde a defesa de Kobane, em Setembro de 2014,4 até à libertação de Rakka, em Outubro de 2017, no meio de tensões permanentes com Ancara, uma vez que a Turquia era um dos mais importantes apoiantes do EI e estava determinada a destruir a autonomia curda na Síria.
No entanto, o apoio de Washington aos curdos na Síria sempre foi frágil e a sua situação geopolítica consequentemente precária. O declínio da hegemonia americana, que Trump está agora a executar até ao seu amargo fim imperial, começou durante a administração Obama. O envio das forças armadas americanas contra o Estado Islâmico ocorreu durante uma fase em que Washington queria concentrar-se mais na luta hegemónica contra a China e na contenção da República Popular no Sudeste Asiático como parte da sua reorientação para a Ásia.5 Assim, Washington só relutantemente seguiu o seu papel de “polícia mundial” em resposta ao colapso regional na “guerra de desestatização” (Robert Kurz) síria.
Esta relutância da parte de Washington tinha as suas razões: A desastrosa invasão americana do Iraque, levada a cabo pelos neoconservadores como parte da sua intenção de democratizar o Médio Oriente, foi o ponto de viragem mais importante, acelerando imenso o processo de erosão gradual da hegemonia americana. À rápida vitória militar contra o regime de armas químicas de Saddam Hussein seguiu-se o colapso do Estado e uma guerra civil assassina entre sunitas e xiitas. A ideia dos neoconservadores de consolidar a hegemonia americana na região rica em petróleo, democratizando-a, transformou-se no seu oposto – o colapso acelerado da hegemonia americana.
O impulso induzido pela crise no sentido da desestatização da região, que também assistiu à queda da Líbia e da Síria na sequência da Primavera Árabe, foi assim efectivamente iniciado pela invasão americana do Iraque. O Nation Building da hegemonia ocidental, que foi impulsionado como parte das guerras de ordenamento mundial (Robert Kurz) da globalização, falhou em toda a parte, uma vez que a crise mundial do capital há muito que retirou a base económica das ruínas enfermas da modernização na periferia: da Somália ao Afeganistão, à Líbia e ao Iraque. No entanto, o caos da desintegração do Estado também abriu espaços para o único impulso emancipatório significativo que foi capaz de se afirmar no norte da Síria no processo geral de desintegração. O que os neoconservadores não conseguiram fazer no Iraque pareceu de repente funcionar em Rojava.
Os resquícios e rudimentos ideológicos desta abordagem de democratização no aparelho de Estado norte-americano apoiaram, portanto, a autonomia curda por razões tácticas, mas estas forças perderam muito rapidamente toda a relevância devido ao desastre no Iraque. Rojava só teve importância para os EUA no contexto da contenção do Estado Islâmico. Tanto mais que a estratégia de democratização dos neoconservadores era um meio democrático para um fim hegemónico e imperial que visava os combustíveis fósseis da região: a democratização – que teria sido financiada pelas exportações de petróleo – devia ser acompanhada pela integração da região no sistema hegemónico dos Estados Unidos, que se destinava a levar a cabo o seu controlo indireto e mediado por Washington. O objectivo era cimentar o domínio do petrodólar. Isto significava que Rojava, com as suas marginais reservas locais de petróleo, não podia servir para nada; tudo o que restava era a ideologia da democratização, sem que a base económica dos cálculos hegemónicos dos neoconservadores estivesse ainda presente.
Um adeus antecipado ao imperialismo dos direitos humanos
Por outras palavras, o valor geopolítico dos curdos sírios declinou rapidamente após a sua vitória contra o Estado Islâmico, especialmente porque o velho pensamento hegemónico no seio das elites funcionais dos EUA deu lugar a um novo cálculo abertamente imperialista personificado por Donald Trump. Já em Maio de 2017, Trump fez com que o seu então Secretário de Estado Rex Tillerson proferisse um discurso de fundo sobre política externa,6 no qual os direitos humanos eram rejeitados como um factor ideológico na política externa americana, a fim de no futuro perseguir abertamente os interesses americanos sem “lastro de direitos humanos”. Grande parte da política imperialista nua e crua que Trump está a praticar actualmente7 já tinha sido anunciada em 2017. A traição de antigos “parceiros” geopolíticos é, assim, o novo princípio da política de poder americana, cujo imperialismo aberto já não tem de ter em conta a fachada institucional e democrática da velha hegemonia dos EUA (sob Obama, Washington ainda se esforçou por aparecer como um factor de poder “fiável” na política externa, a fim de encontrar proxies dispostos no futuro).
Cerca de seis meses após este discurso do Secretário de Estado norte-americano, que anunciava efectivamente a transição dos Estados Unidos da política da hegemonia para o imperialismo de crise nu e cru concluída no início de 2026,8 a Turquia atacou os curdos sírios em Afrin, que estava então sob influência russa, com o apoio da NATO.9 Pouco depois, seguiu-se uma segunda invasão turca na esfera de influência americana em Rojava. Os territórios autónomos do norte da Síria foram praticamente vendidos num negócio imperialista: no início de 2018, Vladimir Putin deu luz verde à invasão do cantão de Afrin,10 que estava na esfera de influência da Rússia. Em Outubro de 2019, Donald Trump deu rédea solta ao impulso expansionista da Turquia no nordeste da Síria, permitindo a Ancara estabelecer outra zona de ocupação em Rojava.11
Estas duas campanhas de guerra do islamofascismo turco no norte da Síria, que foram acompanhadas de limpezas étnicas,12 ilustram a estratégia de expansão imperialista de Erdogan, que envolveu um jogo de de alto risco em que a Turquia se movimentou entre a Rússia e o Ocidente, a fim de obter concessões de ambos os lados para novas tomadas de terras. A alavanca de poder imperial de Erdogan, que controla um país estrategicamente importante, é muito mais longa do que a dos curdos sírios, que só eram necessários para conter o Estado Islâmico e como contrapeso ao regime de Assad. Putin vendeu o Afrin curdo em troca de um acordo nuclear e de um gasoduto; no caso de Trump, foi provavelmente apenas uma afinidade com personagens autoritárias e um esforço para manter Ancara na aliança ocidental.
Com o colapso do regime de Assad no final de 2024, o cálculo do poder regional mudou ainda mais em desfavor de Rojava. A aliança islamista apoiada pela Turquia, pelos EUA e – em certa medida – por Israel, que varreu o fictício aparelho de Estado sírio numa questão de dias, alcançou um objectivo estratégico para o Ocidente e Israel na região. O corredor xiita, através do qual o regime dos mulás iranianos podia projectar o seu poder militar até à fronteira de Israel, foi cortado e a logística do Hezbollah foi gravemente perturbada, o que significa que este deixou de poder intervir na Síria após a sua derrota às mãos de Israel.
É aqui que se concretiza a táctica de intervenção da CIA, que acaba por fazer um pacto com as organizações ideológicas e/ou organizacionais sucessoras da Al-Qaeda para atingir um objectivo geopolítico. Com os restos do Estado sírio, os islamistas apenas destruíram o que já estava em estado de colapso devido à crise. E também foram tão bem sucedidos porque não tiveram de lutar contra os seus próprios semelhantes, contra o Estado Islâmico, que já tinha sido derrotado pelas forças militares de Rojava a muito custo.
O Estado da Al-Qaeda
Cerca de um quarto de século após os atentados contra o World Trade Center, organizados por um líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, preparado pela CIA no Afeganistão, os Estados Unidos levaram ao poder em Damasco os herdeiros políticos deste grupo terrorista islamofascista. Para os EUA, isto faz parte da sua luta pela dominância contra a China. Washington vê o extremismo sunita da Al-Qaeda como um baluarte contra o Irão xiita, que faz parte do sistema de alianças euro-asiático centrado em Pequim. A Rússia foi efectivamente empurrada para fora da região e o Irão enfraquecido.
No entanto, o maior beneficiário deste Estado al-Qaeda, que será tão instável como o regime de Assad, é a Turquia, que conseguiu alargar maciçamente a sua posição de poder na região. Os europeus (nomeadamente Berlim) esperam poder em breve deportar os refugiados para a Síria. É por isso que Berlim mantém um silêncio férreo sobre os massacres e as limpezas étnicas que ocorrem actualmente em Rojava, tal como fez anteriormente com os assassínios em massa dos jihadistas na costa alevita ou na região drusa, no Sul. O país tornar-se-ia assim uma prisão a céu aberto, guardada pelos islamistas, para os economicamente supérfluos da região.13
Já não se fala de democratização ou de eleições livres na Síria; o imperialismo dos direitos humanos do período neoliberal também se desvaneceu na Europa. Bruxelas, Berlim e Paris estão a seguir Washington com um desfasamento temporal. Trata-se agora apenas de atribuir uma espécie de legitimidade e estabilidade à Síria emergente da al-Qaeda para poder deportar pessoas para lá. De facto, isto representa uma colaboração com o fascismo na sua forma islâmico-clerical; é uma tentativa de pacificar de alguma forma a região em crise através do terror assassino dos jihadistas, de trazer a paz do cemitério. E – esta previsão já pode ser feita agora – escusado será dizer que esta esperança europeia de paz islâmica será destruída pelo terror islâmico (podemos antes perguntar se Washington não pretende mesmo este factor de desestabilização na luta agora relativamente aberta contra a UE).
Depois de Dezembro de 2024, só existe efectivamente um factor de poder regional com interesse na existência de Rojava: Israel. Telavive parecia apoiar o derrube do regime de Assad, pelo menos tacticamente, mas ao mesmo tempo Israel esforçou-se imediatamente por limitar o poder dos islamistas na Síria. As regiões autónomas controladas por minorias deveriam neutralizar, na medida do possível, o extremismo sunita: Os drusos no sudoeste, os alevitas no litoral – e os curdos no norte e nordeste. O apoio aos curdos não foi, portanto, motivado principalmente por simpatias políticas ou ideológicas, mas por cálculos geopolíticos. Israel está também em confronto com a Turquia de Erdogan pela supremacia na região, onde Ancara procura expandir-se segundo a tradição do Império Otomano. No final de 2025, a Grécia, Chipre e Israel, por exemplo, fundaram uma aliança que é obviamente dirigida contra Ancara e que se destina a neutralizar a procura de domínio da Turquia no Mediterrâneo Oriental.14
O que é que aconteceu, porque é que Telavive se cala agora que se está a formar um Estado islamista instável no seu flanco nordeste, estreitamente ligado a Ancara? Por um lado, Washington conseguiu simplesmente o que queria – são soldados americanos que estão estacionados em Rojava. E Trump já optou a favor de Erdogan e contra os curdos durante a sua primeira presidência. Os fascistas na Casa Branca estão mais próximos de um Erdogan, com a sua ideologia autoritária mista de nacionalismo e islamismo, do que de um governo autónomo curdo que visa a emancipação. Especialmente porque a Turquia, como mencionado acima, é um elo importante – embora cada vez mais problemático – para os EUA e a UE na região. O e-mail do presidente francês Macron para Donald Trump, que ele simplesmente tornou público, deixou claro a rapidez com que os curdos podem ser vendidos para obter outras concessões. Macron, que muitas vezes apoiou publicamente os curdos sírios, de repente viu-se alinhado com Trump sobre a Síria e o Irão15 – para depois o contradizer no conflito da Gronelândia.
O Irão como a nova Síria?
Irão é aqui a palavra-chave. O Irão de hoje tem uma estrutura semelhante à da Síria da Primavera Árabe: uma ruína de Estado autoritário, esvaziada internamente pelo processo de crise, que está efectivamente em colapso económico e ecológico (razão pela qual foi fácil para os serviços secretos israelitas penetrarem de forma abrangente neste aparelho de Estado em erosão). A última grande vaga de revoltas e protestos, que só pôde ser reprimida com um assassínio em massa pelo Estado,16 do qual foram provavelmente vítimas dezenas de milhares de manifestantes, foi apoiada por amplos sectores da população. Para além dos suspeitos do costume, as classes médias liberais, que há muito odeiam o terror da virtude, os assalariados empobrecidos e os proprietários de pequenas empresas, que sofrem com o colapso da moeda e a inflação, também participaram nos protestos.17 Em algumas partes do país, o abastecimento de água também está a colapsar simplesmente devido à manifesta crise climática.18
Washington – e Israel em particular – querem, portanto, aproveitar a oportunidade e derrubar o regime dos Mulás, embora “derrubar” possa ser a palavra errada quando se considera o comportamento dos EUA em relação à Venezuela.19 No caso do Irão, também não se fala de democratização ou de eleições; em vez disso, pretende-se reanimar a instituição arcaica do Xá da Pérsia – o mesmo regime repressivo e assassino varrido pela revolução de 1979, que fracassou no terror fundamentalista em massa.20 De facto, os EUA querem substituir um regime islâmico-fascista hostil por um regime leal aos EUA. Depois da Venezuela, o Irão seria mais um dos postos de abastecimento da China a neutralizar. Para Israel, por outro lado, está em jogo um objectivo fundamental da política de segurança. O regime que elevou a erradicação do Estado judaico a uma doutrina de Estado, que aplaudiu publicamente e apoiou militarmente os pogroms e massacres do Hamas de 7 de outubro, poderia ser derrubado.
E esta construção de regime, este planeamento de regime é – como ficou claro no caso da Venezuela – muito mais favorável do que os esforços dos neoconservadores para estabelecer a democratização e a hegemonia dos EUA na região através da mudança de regime. O objectivo é simplesmente eliminar as forças fundamentalistas do regime iraniano,21 fazendo ao mesmo tempo ofertas a facções/grupos sectários dispostos a cooperar para manter o poder. Os assassinos em massa do aparelho repressivo iraniano, sob cujas ordens foram recentemente abatidos milhares de manifestantes, poderiam assim manter a sua posição de poder mesmo após o pretendido “derrube do governo”, desde que se mostrassem dispostos a cooperar.
A erosão das estruturas do Estado provocada pela crise torna, afinal, concebível esta abordagem contra as diversas abordagens dentro do aparelho – a Venezuela é o modelo do novo imperialismo de crise dos EUA, que há muito esqueceu as suas promessas eleitorais isolacionistas. No entanto, isto não significa que esta abordagem, que foi bem sucedida na Venezuela, pelo menos a curto prazo, também funcione contra uma potência regional como o Irão – pelo menos não sem guerra.
Este “projecto de regime” pretendido pelos EUA, a remodelação do regime iraniano de acordo com os interesses dos EUA, muito provavelmente não teria lugar sem um conflito militar prolongado. Uma breve operação da Delta Force, como em Caracas, não será suficiente. E é precisamente nisto que Washington parece estar a trabalhar. Pouco depois de os islamistas estatais sírios terem começado a atacar Rojava, representantes da autonomia curda informaram que lhes tinha sido pedido por responsáveis americanos que lutassem contra as milícias xiitas do Irão, que seriam mobilizadas em caso de conflito. Está já em curso uma mobilização de forças curdo-iranianas para um eventual conflito no Irão, que teriam de manobrar entre a sua instrumentalização geopolítica e a procura da libertação curda.
E é precisamente isto que coloca em cena a Turquia, que actua como um dos mais importantes opositores regionais a um derrube do regime dos Mulás, uma vez que o Irão – tal como a Síria – tem uma grande minoria curda cuja autonomia ou autogoverno, modelada em Rojava, Ancara quer impedir. Parece, portanto, que a nova traição de Trump aos curdos sírios representa um preço geopolítico para atenuar a resistência de Ancara ao pretendido derrube do regime no Irão. Também se pode presumir que foi prometida à Turquia uma zona tampão em território iraniano, semelhante à sua zona de ocupação no norte do Iraque.22 Mais uma vez, os curdos estão a pagar o preço de acordos imperialistas entre grandes potências regionais.
A crise do sistema capitalista mundial está a desenrolar-se como um processo histórico por etapas; após a vaga de desestatização da Primavera Árabe, o Irão está agora à beira do abismo. O novo imperialismo de crise da administração Trump23 pode ser entendido como uma forma de adaptação à crise por parte das elites funcionais do capitalismo tardio, em que as distorções económicas na semiperiferia são exploradas para a intervenção militar dos centros. Impulsionada por contradições sócio-ecológicas insuportáveis, está a emergir uma nova convulsão violenta na região, mas que, em princípio, está em aberto – tal como aconteceu na Síria e continuará a acontecer, desde que o projecto de Rojava possa de algum modo manter-se vivo. As forças da oposição no Irão que conseguiram sobreviver à recente vaga de massacres poderão, portanto, encontrar-se em breve numa situação em que não só serão confrontadas com o regime dos mulás em erosão, mas também com os esforços imperialistas de crise para estabelecer um novo regime ditatorial do Xá no caos.
No entanto, o colapso do sistema mundial capitalista tardio, a transformação do sistema e a consequente luta pela transformação são inevitáveis. Para o que resta da esquerda, apesar de toda a regressão, repressão e oportunismo, não há, portanto, alternativa à luta por um curso emancipatório deste processo de transformação. Em Rojava como no Irão. E nos centros, cujo neo-imperialismo é alimentado pelo mesmo processo de crise que assola a semiperiferia.
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1 https://www.latimes.com/world/middleeast/la-fg-cia-pentagon-isis-20160327-story.html
2 https://www.kritiknetz.de/images/stories/texte/Islamischer_Staat.pdf
3 https://www.telepolis.de/article/Allianzen-Almosen-Massaker-3366580.html
4 https://archiv.telepolis.de/features/Kobane-in-Truemmern-Tuerkei-in-Flammen-3367844.html
5 https://www.cnas.org/publications/commentary/obama-tried-to-pivot-to-asia-in-2011-we-must-succeed-this-time
6 https://www.telepolis.de/article/Abschied-vom-Menschenrechtsimperialismus-3713257.html https://www.konicz.info/2017/12/11/abschied-vom-menschenrechtsimperialismus/
7 https://www.konicz.info/2025/03/15/alles-muss-in-flammen-stehen/. Em Português: https://www.konicz.info/2025/03/16/tudo-tem-de-ficar-em-chamas/
8 https://www.konicz.info/2022/06/23/was-ist-krisenimperialismus/. Em Português: https://www.konicz.info/2022/07/06/o-que-e-imperialismo-de-crise/
9 https://ednews.net/en/news/politics/240234-turkey-has-right-to-act-in-self-defense-in-afrin-nato-chief-stoltenberg-says
10 https://www.konicz.info/2018/01/21/afrin-erdogans-werk-und-putins-beitrag/
11 https://www.konicz.info/2019/10/26/der-krieg-der-neuen-rechten/
12 https://www.konicz.info/2022/12/29/das-vergessene-morden/
13 https://www.telepolis.de/article/Outsourcing-der-Barbarei-3336631.html
14 https://www.dw.com/en/greece-cyprus-israel-military-cooperation-explained-turkey-reaction/a-75394974
15 https://www.politico.eu/article/emmanuel-macron-decoded-text-message-donald-trump/
16 https://www.t-online.de/nachrichten/ausland/krisen/id_101098128/massenproteste-im-iran-neue-opfer-zahlen-offenbaren-dramatisches-ausmass.html
17 https://news.sky.com/story/why-are-people-protesting-in-iran-everything-you-need-to-know-13490639
18 https://www.theguardian.com/world/2026/jan/15/how-day-zero-water-shortages-in-iran-are-fuelling-protests
19 https://www.konicz.info/2026/01/11/die-herrschaft-der-terror-clowns/. Em Português: https://www.konicz.info/2026/01/13/o-reinado-dos-palhacos-do-terror/
20 https://therealnews.com/how-irans-theocrats-allied-with-and-then-crushed-the-left
21 https://www.msn.com/en-us/politics/international-relations/as-us-forces-build-up-trump-weighs-limited-strikes-to-shake-iran-s-regime/ar-AA1V1Ksq
22 https://www.konicz.info/2022/12/29/das-vergessene-morden/
23 https://www.konicz.info/2022/06/23/was-ist-krisenimperialismus/. Em Português: https://www.konicz.info/2022/07/06/o-que-e-imperialismo-de-crise/
Original “Verrat aus Prinzip” in konicz.info, 28.01.2026. Tradução de Boaventura Antunes